Chelas, Malha J, Edifícios de Habitação Social

O plano de urbanização de Lisboa, iniciado após 1948, contemplava Chelas como uma das grandes áreas de expansão habitacional, projetada para responder ao crescimento populacional e ao deficit de habitação.

1300 fogos

Rapidamente, as zonas I e J foram construídas, seguindo o modelo dos Olivais, com logradouros adaptados à topografia e pensados para a vida ao ar livre dos moradores. Esta fase marcou a primeira grande abordagem unificada e em grande escala do planeamento urbano em Lisboa, integrando habitação, equipamentos sociais, comércio e áreas verdes, embora a proximidade do aeroporto tenha imposto restrições ao crescimento volumétrico e exigido cuidados no isolamento acústico das construções.

O Plano de Urbanização de Chelas de 1965 projetou milhares de fogos, escolas, áreas livres e equipamentos sociais, mas trouxe também uma forte marca de urbanismo hierarquizado. A distribuição volumétrica privilegiava eixos principais, criando zonas mais densas e outras de caráter residencial e tranquilo. Deste plano resultaram bairros hoje conhecidos, como Amendoeiras, Olival, Armador, Flamenga, Lóios e, em especial, o Bairro do Condado (antiga Malha J). Foi precisamente nesta malha que o arquiteto Tomás Taveira teve um papel decisivo, projetando um conjunto habitacional de fortes contrastes arquitetónicos, marcado pela monumentalidade dos volumes e pela tentativa de articular dinâmicas urbanas com espaços coletivos.

GTH – Gabinete Técnico da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa Plano de Urbanização de Chelas.

O projeto de Tomás Taveira na Malha J destacou-se por procurar introduzir inovação plástica e formal dentro de um contexto de habitação social, criando edifícios de identidade própria, com forte presença volumétrica e espacial, mas também com uma configuração urbana que acabou por gerar discussões. Apesar da intensidade arquitetónica do desenho, o bairro ficou associado a problemas de marginalização e segregação social, comuns a todo o território de Chelas. Para responder a esses desafios, surgiram intervenções posteriores como o programa “Viver Marvila” (2009) e a demolição de blocos do Condado no mesmo ano, tentando corrigir disfunções urbanísticas e sociais do projeto inicial.